segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Palestra completa de Angela Davisna UFBA em Julho das Pretas

Com tradução de Raquel Souza e transcrição feitas pelas ativistas Carol Correia e Monyque Assis, leia a  palestra “Atravessando o tempo e construindo o futuro da luta contra o racismo” de Angela Davis, no Julho das Pretas, em 25 de julho de 2017, no salão nobre da reitoria de UFBA, em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres Afrolatinas e Caribenhas

 

Introdução da palestrante [palavras da própria gravação]

Angela Davis é filósofa, ativista feminista e defensora dos direitos civis da população negra. Fez parte do Panteras Negras e do Partido Comunista dos Estados Unidos. Em 1970, foi perseguida e presa. Ativistas tomaram as ruas exigindo: “Libertem Angela Davis!”. Publicou em 1981 uma de suas mais importantes obras: “Mulheres, Raça e Classe”. O livro transmite sua militância em defesa das políticas de igualdade de gênero e combate ao racismo. Considera que raça, classe e gênero estão entrelaçados e que juntos podem criar diferentes tipos de opressão.

Palestra em homenagem ao dia 25 de julho, Dia da Mulher Afro-Latina e Caribenha.

Boa noite. Eu não consigo dizer a vocês quão emocionada eu estou em estar na presença de vocês essa noite. Isso certamente é como deveria ser a aparência de uma Universidade. Eu gostaria de agradecer Ângela Figueiredo, a Odara, ao Centro de Estudos de Gênero da UFBA, por me convidar para vir aqui e homenagear o dia 25 de julho. Essa é minha quarta visita a Bahia e a minha sexta visita ao Brasil e nesse momento eu me sinto extremamente envergonhada por ainda não ter aprendido português. Então esse será meu próximo projeto!

Eu estou muito feliz de estar aqui celebrando o Dia de Mulheres Afro-Latinas e Caribenhas e eu sei que aqui esse dia é conhecido como Julho das Pretas. Então eu estou muitíssimo entusiasmada de estar aqui no Brasil, especialmente porque eu tenho acompanhado recentes situações dentro do Movimento de Mulheres Negras e me parece que, nesse momento contemporâneo, as mulheres negras brasileiras representam o futuro do Movimento.

Mulheres negras no Brasil têm uma história bastante longa em envolvimento em lutas em prol da liberdade. Como tem sido simbolizada pela continuidade da Irmandade da Boa Morte. O conceito de Boa Morte em si nos faz imaginar um futuro melhor. Isso me leva a reconhecer as amplas contribuições das mulheres negras no Brasil e na Bahia em termos da cultura religiosa desse local. Durante essa visita eu fui honrada com a possibilidade de atender uma oficina dentro da Irmandade da Boa Morte.

E, também, em de passar tempo com Dona Dalva com quem tive a oportunidade de aprender sobre o papel de Dona Dalva em preservar o samba de roda e ela recebeu um diploma de doutorado honoris causa pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano. Eu gostaria de ressaltar que alguns anos atrás fui honrada pelo convite de conhecer o terreiro e de me encontrar com Mãe Estela. E elas me disseram sobre seus esforços de preservar a cultura e a religiosidade dentro das tradições baianas e que as mulheres negras estavam no cerne dessas tradições.
Como foi dito por Dulce Pereira, eu já venho ao Brasil desde 1997 e eu nunca irei me esquecer daquele encontro que ocorreu em 1997 em São Luís no Maranhão. Tive a oportunidade de encontrar Luísa Barros pela primeira vez e o espírito delacontinua a viver e a estar aqui presente conosco.

E também encontrei pela primeira vez, Vilma Reis e tantas outras mulheres negras maravilhosas, em qual eu continuo a me encontrar todas as vezes em que venho ao Brasil.
A atual visita organizada pela Professora Doutora Ângela Figueiredo foi um encontro organizado em conexão a uma reunião mais ampla, a um curso organizado em Cachoeira sobre Feminismo Negro Decolonial. E eu agradeço a Ângela, em que toda vez que alguém chama seu nome [de Ângela Figueiredo], eu também olho, mas eu agradeço a ela por ter me convidado de novo e de novo para vir a Bahia. As pessoas me perguntam “você já foi ao Rio de Janeiro”, eu digo “não”; “você já foi a São Paulo?”, eu digo “não, mas eu já fui a Salvador, Bahia, várias e várias vezes”.

Eu menciono essa escolha porque ela reuniu estudantes negras do Brasil, da América do Sul, da África do Sul, do Canadá, dos Estados Unidos e do Porto Rico e, ao fazê-lo, produzir concepções importantes que poderiam não ter sido disponibilizadas, se esse encontro não fosse corrido. Todos nós que tivemos a oportunidade de virmos de outras partes do mundo, temos muita sorte de estarmos aqui nesse momento, onde o ativismo de mulheres negras está elevado; a gente está pela gente.

E como já foi dito e reiterado várias vezes, o movimento social liderado por mulheres negras é o movimento social mais importante do Brasil.
Após o Golpe antidemocrático que resultou na retirada de Dilma Rousseff, após a ocorrência desse golpe de Estado, as mulheres negras criaram a melhor esperança para esse país. Muitas de nós nos Estados Unidos estávamos muito entusiasmadas acompanhando a Marcha das Mulheres Negras no Brasil em novembro de 2015 e nós continuamos a sentir as reverberações dessa marcha e  estamos no Julho das Pretas.
Este é um momento difícil para o nosso planeta por vários motivos, principalmente em função de termos uma guinada para a Direita na Europa, nos Estados Unidos, na América do Sul, especialmente aqui no Brasil.

Eu não tenho nem como explicar para vocês qual é a sensação de morar nos Estados Unidos, no qual Donald Trump é o presidente, mas não devemos nos esquecer que um dia após a posse dele, o Movimento de Mulheres trouxe para Washington três vezes mais pessoas do que o número que atendeu a cerimônia de posse de Donald Trump. Estima-se que mais de 5 milhões de pessoas participaram na Marcha das Mulheres contra Trump por todo o mundo, até na Antártica.

A Marcha das Mulheres em Washington foi liderada por mulheres negras, latinas, asiáticas, indígenas, muçulmanas e também mulheres brancas. Nós nos encontramos em Washington e por todo o mundo de todos os países para dizer que: "Nós resistiremos, nós resistiremos! Todos os dias da presidência de Donald Trump, nós resistiremos! Nós resistiremos ao racismo, à exploração capitalista, ao hetero-patriarcado. Nós resistiremos a islamofobia e ao preconceito contra pessoas portadoras de deficiências físicas e nós defenderemos o meio ambiente dos ataques insistentes e predatórios do capital."

Aqui em Salvador, no dia 25 de julho, o dia dedicado às mulheres negras na América Latina e no Caribe, dizemos de forma ainda mais forte, com a força e o poder das mulheres negras nessa região: Nós resistiremos! Nós sabemos que as transformações históricas sempre começam com as pessoas, essa é a mensagem do Movimento Vidas Negras Importam (Black Lives Matter), quando as vidas negras começarem a realmente ter importância, isso significará que todas as vidas têm importância. E podemos dizer também, especificamente, que quando as vidas das mulheres negras importam, então o mundo será transformado e nós teremos a certeza, então, que todas as vidas importarão. As lutas das mulheres negras estão conectadas às lutas de pessoas oprimidas em todas as partes.
Para aqueles que dizem não às políticas anti-imigração de Donald Trump e a construção de seu muro; para aqueles que dizem não ao apartheid e para o muro que está separando a ocupação Palestina — Israel; para aqueles que dizem não ao racismo e a misoginia na Colômbia; para aqueles que dizem não ao sistema de castas na Índia; e nós estamos em solidariedade com as mulheres dalit e suas comunidades; para aquelas que dizem não à violência cotidiana, à violência doméstica eà violência íntima, que incidem sobre as mulheres negras e que geralmente são perpetuadas por homens negros.
Assim como, finalmente tem sido reconhecido as mulheres negras pelo trabalho que sempre desenvolveram em manter as chamas de liberdade ardentes, a liderança das mulheres negras nos movimentos antirracistas tem finalmente sido reconhecida, não é o tipo de liderança que tenta dar visibilidade ou poder a indivíduos, não é o tipo de liderança que é baseado em carisma, o individualismo masculino carismático, mas é o tipo de liderança que enfatiza as intervenções coletivas e apoia as comunidades que estão em luta.

"A liderança feminista negra é fundamentalmente coletiva"
 
A liderança feminista negra é fundamentalmente coletiva. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, reconhecemos a importância de confrontar a violência do Estado. Enquanto o racismo está saturando todas as nossas instituições, a questão da moradia, do emprego, da assistência de saúde e acesso à educação e, que pode ser mais dramaticamente, de policiamento e punição.
Mulheres negras têm propiciado liderança contra a violência estatal, contra a violência policial, contra o racismo no sistema carcerário, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Eu tenho falado aqui sobre a liderança das mulheres negras, mas eu deveria estar me referindo a liderança feminista negra; enquanto é necessário enfatizar a categoria de mulheres negras, pela perspectiva de gênero e de raça, nós reconhecemos que também estamos estão aplicados nisso: classe, sexualidade, capacidade e o gênero para além do convencional binário e que nosso foco é nas mulheres negras empobrecidas, incluindo as mulheres negras que estão encarceradas, incluindo mulheres negras gays, incluindo mulheres negras trans, incluindo mulheres negras portadoras de deficiência.
Mas também estamos conscientes de que não estamos focando na mulher negra através de um arcabouço separatista, porque as mulheres negras também estão se engajando nos movimentos de outros grupos; as vezes ao ponto de elas mesmas serem ignoradas nesse movimento.
As mulheres negras estão entre o grupo mais ignorados, subjugados e também os mais atacados no planeta. As mulheres negras estão entre os grupos mais não-libertos do mundo, mas ao mesmo tempo as mulheres negras têm uma trajetória que perpassa barreiras geográficas e da nação de sempre manter a esperança da liberdade viva.

As mulheres negras representam tanto a falta de liberdade e, ao mesmo tempo, as mesmas consistentes nessa tradição de que foi rompida pela luta à liberdade, desde o tempo da colonização, da escravidão e até o presente.
Lembramo-nos de Rosa Parks que sempre enfatizou que ela gostaria de ser relembrada como mulher que queria ser livre, de tal forma que todas as pessoas pudessem ser livres. Lembre-nos de Lilian Ngoyi, uma das mulheres que foram líderes do Movimento Anti-Passe, na África do Sul, que disse em 1956, entre todas as suas outras irmãs “agora que vocês atingiram as mulheres, você acionou um trator e você será esmagado!”. Carolina Maria de Jesus nos lembrou que a fome deveria nos levar a refletir sobre as crianças e sobre o futuro. E muito tempo antes do conceito de interseccionalidade ter sido utilizado, Lélia González não apenas insistia que não só deveríamos compreender que a completa inter-relação de raça, classe e gênero; mas insistia também que deveríamos ter em mente as nossas conexões, os nossos elos com a comunidade indígena; as conexões com os povos indígenas e os povos negros. E essa é uma das lições que nós dos Estados Unidos precisamos aprender com a história do feminismo negro no Brasil.

O que me leva a minha próxima questão: Existem geralmente a pressuposição que a forma mais avançada de feminismo negro será encontrada nos Estados Unidos. É verdade que há muitas figuras bastantes conhecidas norte-americanas que são associadas ao desenvolvimento do feminismo negro. Mas deveria ser reconhecido que isso não se dá pelo fato de sermos mais avançados; isso seria uma pressuposição imperialista e colonial. Mas na verdade, isso ocorre porque as ideias de lá, sejam elas conservadoras ou radicais, viajam e circulam com muita mais facilidade do que as ideias que emergem e emanam, por exemplo, daqui do Brasil. Então, eu não posso me levar tão a sério assim.
No que diz respeito a mim, eu sempre gosto de apontar que ninguém jamais teria reconhecido meu nome, se as pessoas de todo o mundo não tivessem se organizado e se juntaram a luta, exigindo a minha liberdade no início dos anos 1970. É verdade que cada uma dessas viagens que fiz ao Brasil tem me trazido muitos insights, muitas perspectivas novas.

Desde a primeira conferência organizada por Leila Gonzáles em 1997 no Maranhão, até a escola do feminismo negro descolonial que participei agora recentemente em Cachoeira. E portanto, a partir disso, passo a questionar o meu papel em trazer o conhecimento feminista negro para o Brasil. Passei a perceber que nós nos Estados Unidos somos aquelas que necessitamos aprender com o conhecimento e os insights que são produzidos pela longa história de luta feminista negra no brasil. Nós precisamos conhecer sobre o poder Feminista Negro preservado dentro da tradição do Candomblé. Nós precisamos aprender sobre os movimentos bem sucedidos organizados por mulheres negras trabalhadoras domésticas aqui na Bahia e no Brasil.

Eu tive o privilégio de conhecer Marinalva Barbosa que é a presidente do Movimento do Sindicato de trabalhadoras domésticas aqui na Bahia, temos muito a aprender com o trabalho dessas mulheres porque nós ainda não conseguimos nos organizar de maneira bem sucedida através de sindicatos dessa categoria nos Estados Unidos.

Apesar do fato de que mulheres negras que trabalhavam como lavadores e fizeram uma greve em 1988 em Atlanta na Geórgia, mesmo apesar do fato de que nos anos 1920 e nos anos 1950 houveram esforços que não foram bem sucedidos de organizar sindicatos dessa categoria. Não é uma coincidência que Alicia Garza, uma das fundadoras do movimento Black Lives Matter, mesmo assim ainda não temos um sindicato de trabalhadoras domesticas.
Deixe-me compartilhar com vocês algumas palavras sobre o complexo industrial prisional; está correto afirmar que o Brasil tem a quarta população carcerária do mundo. A quarta, sendo a primeira EUA, Rússia e China. Agora, os EUA estão comportando 1/4 de toda a população carcerária do mundo.

E se olhamos para a população carcerária feminina, 1/3 dessa população está sendo encarcerada nos EUA. Se tivéssemos tempo, essa noite poderíamos falar mais aprofundadamente sobre o fato de que de essa população carcerária reflete o tipo de sistema capitalista global e como esse sistema negligencia as necessidades humanas.

Populações que não tem acesso à educação, a moradia ou ao sistema de saúde ou a quaisquer outros serviços que são necessários a vida humana. A rede carcerária mundial representa um vasto depósito de lixo, nos quais pessoas que não tem importância são depositadas, descartadas. As pessoas que tem a menor importância são as pessoas negras, sul-americanos, muçulmanos, pessoas de descendência indígena. Quando nós trabalhamos e lutamos contra violência do Estado e como ela se manifesta através das práticas policiais e das práticas de encarceramento, nós dizemos que as pessoas negras importam, que as pessoas de descendência indígena importam.

A professora Denise Carrascosa, que é professora aqui na Universidade Federal da Bahia, que tem liderado um projeto de mulheres dentro do sistema carcerário, um projeto teatral dentro do sistema carcerário, chamado corpos indóceis e mentes livres, é um projeto entusiasmante que reúne mulheres encarceradas de tal forma que elas possam dramatizar suas realidades e suas vidas., esses são os tipos de projetos inovadores que produzem conhecimentos feministas sobre a relação entre a liberdade e a não-liberdade.

E eu acabei de ser informada que a professora Carrascosa tem sido impedida de entrar nesse Complexo Prisional Feminino na Bahia porque ela se juntou a outras encarceradas em protesto contra o tratamento punitivo de uma mulher que foi trancada e a ela foi negada medicação necessária pós cirúrgicos. E em função da professora Carrascosa ter levantado sua voz, o seu projeto que já dura 7 anos foi barrado.

Então, eu gostaria de perguntar a vocês o que vocês farão em relação a essa situação? Eu gostaria de sugerir que vocês começassem a pedir a cada uma das pessoas que estão presentes aqui nesse auditório para assinar um abaixo-assinado exigindo que esse projeto seja reincorporado. Sabemos que nos últimos dez anos houve um aumento de 500% na taxa de encarceramento de mulheres e 2/3 de todas as mulheres que estão encarceradas no Brasil são mulheres negras.
Então, isso me leva aos meus dois últimos pontos em conclusão.
Um deles diz respeito a reprodução da violência, nós não podemos excluir a violência doméstica, a violência no âmbito íntimo e a violência intima das nossas teorias sobre violência estatal e a violência institucional.

Frequentemente agimos como se um não tivesse nada a ver com o outro e que se as mulheres negras são vítimas dessa violência cotidiana que é infligida por seus maridos e seus namorados, isso significa simplesmente que os homens negros e os rapazes negros são violentos.
Mas como é que podemos pensar isso? Nós precisamos nos perguntar qual é a fonte dessa violência que prejudica e que fere tantas mulheres negras? Qual a relação dessa violência com a violência policial e a violência do sistema carcerário? Se essa violência do âmbito doméstico esta simbioticamente conectada com a violência institucional e a violência estatal?
Isso significa que nós não conseguiremos erradicar a violência doméstica simplesmente por enviar aqueles que perpetuam a violência doméstica para o sistema carcerário. Isso significa que se queremos, se desejamos erradicar as formas mais endêmicas de violência individual na face da terra, devemos também eliminar as fontes institucionais de violência.

Esse é um chamado pela abolição do encarceramento como forma dominante de punição. Este é um chamado para pensarmos novas formas de abordar aqueles que são feridos a violência. Esta é a chamada feminista negra para formas de justiças descoloniais que não sejam de retribuição vingativa.
Meu último ponto será breve e diz respeito aos esforços para conter a nossa resistência. Quando nós resistimos, instituições dominantes e principalmente o estado tentam nos conter, tentam conter a nossa resistência. Querem transformar as nossas lutas em estratégias para consolidação do estado nação.

O movimento de direitos civis agora é aclamado pelo Estado ou reivindicado pelo estado como central em suas narrativas sobre a democracia. Mas o movimento Black LIves Matter, principalmente na Era Trump é vivenciado ou narrado como um ataque.
No Brasil, agora que o mito na democracia racial foi completamente exposto, a pergunta agora diz respeito à se o movimento de resistência das mulheres negras pode ser assimilado, então dizemos que a medida que nos erguemos contra o racismo, nós não estamos reivindicando sermos inclusas numa sociedade racista.
Se dizemos não ao heteropatriarcado, então não estamos desejosas de sermos assimiladas em uma sociedade que é profundamente misógina e profundamente patriarcal. Se dizemos não a pobreza, nós não queremos ser contidas dentro de uma estrutura capitalista que valoriza muito mais o lucro do que os seres humanos.

E se reconhecemos que aqueles que queriam resolver o problema da escravidão através da criação de formas mais humanas de escravidão, nós estamos simplesmente utilizando a lógica do racismo.
Nós reconhecemos aqueles que estão simplesmente reivindicando a reforma do sistema policial e a reforma do sistema carcerário, reter se nessas estruturas racistas ao mesmo tempo em que estão fingindo abordar os problemas do racismo, é por isso que dizemos não ao feminismo carcerário e sim ao feminismo abolicionista.

É por isso que nós convocamos essa solidariedade para além de fronteiras nacionais e nós enfatizamos que o feminismo radical negro descolonial reconhece as nossas profundas conexões mesmo à medida que reconhecemos também as suas contradições.

Então, afirmamos que a luta para o acesso a água em comunidade quilombolas, no quilombo Rio dos Macacos, e essa comunidade está sendo assegurada de forma a colocar o rotulo de todos os membros dessa comunidade como terroristas, e eu tenho aqui em minhas mãos um apelo que vem da comunidade do Rio dos Macacos, em termo dos direitos humanos, do acesso à terra e a água. E eu vou ler essa carta aqui imediatamente, após o encerramento desse evento, eu lerei essa carta.
Mas o que eu gostaria de dizer sobre as lutas que estão ocorrendo dentro dessa comunidade, estão ligadas as reivindicações para a proteção da água em populações indígenas, por populações indígenas reivindicando proteção do veneno trazido pelos dutos de petróleo.

E vocês podem estar familiarizadas com a situação da reserva Standing Rocks em Sioux e essas lutas estão ligadas também aos esforços que ocorrem em Flent Michigan para expor o envenenamento da água nas comunidades negras e essa luta também está ligada à luta na qual as comunidades palestinas estão engajadas para defender seus reservatórios de água que são constantemente alvo das forças militares de Israel.

Então, somente através da solidariedade e da luta, nós poderemos preservar o nosso acesso a água. Eu gostaria de enfatizar a minha felicidade de estar aqui comemorando com vocês o dia dedicado a mulher afro-caribenha e latina porque as mulheres negras representam a possibilidade da esperança do futuro.

Carol Correia é Feminista, Ativista anti-prostituição, Formada em Direito (pós em Constitucional e Processo Penal) e Tradutora.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Você sabe o que são pessoas tóxicas? sabe como evitá-las?:

Se depois de estar com certas pessoas, você se sente sem energia e desgastado, a pessoa altera a voz para falar com voce, tenta manipular situações, lhe desrespeita e critica tudo o que voce faz; cuidado, ela pode ser uma pessoa tóxica.

 

Portal Angels

Pode ser que você esteja cercado de pessoas que constantemente criticam seu modo de agir, o sufoquem com suas carências e necessidades, critiquem seus pontos de vista , aproveitando qualquer oportunidade para atacar sua autoestima. Essas pessoas têm a mira apontada para a sua vulnerabilidade. Podem agir sutilmente, disfarçando suas estratégias de ataque. Ou, se colocam ostensivamente, agredindo o outro com palavras e atos.

Todos nós em alguma parte da nossa vida já fomos confrontados a nos relacionar, quer seja por vontade própria ou não, com pessoas tóxicas através do trabalho, das amizades, ou por vezes em termos emocionais e familiares. Os tóxicos podem ser muito simpáticos, muito sedutores até conquistarem a pessoa. Existe no fundo uma conquista, um namoro, uma sedução. A pessoa tóxica não está bem com ela própria, logo sutilmente ela/ele começa a minar a auto estima do outro, são sangue sugas de energias.

Elas podem estar doentes, extremamente preocupadas, ou mesmo sentindo a falta daquilo de que necessitam em termos de amor e apoio emocional. Pessoas tóxicas podem ser angustiadas, depressivas, ou mesmo mentalmente doentes, mas ainda precisam diferençar o problema real delas da maneira como se comportam em relação a você.
Uma coisa é certa um toxico é um invejoso, um doente que não fará falta nenhuma a sua vida.

A pessoa tóxica está sempre a desvalorizar o que você é, seja fisicamente, mentalmente profissionalmente, sempre a minar a sua energia com observações sútis muito desagradáveis. O tóxico tenta sempre chamar atenção sobre si, é inconveniente, dá opiniões sem ninguém pedir.

É manipulador, é instável e inseguro e tenta incutir a insegurança no outro. É uma forma de se sentir melhor com a sua própria infelicidade.
Os tóxicos são controladores, sabem sempre tudo sobre tudo e nunca dão a oportunidade de o outro manifestar a opinião.

Os tóxicos são sempre vítimas seja do chefe, da mãe ou da família que nunca o amaram, no fundo, o tóxico nunca tem culpa de nada.
Os tóxicos são destrutivos porque não respeitam os espaço dos outros, impondo à força, a sua presença.

Se você estiver tentado criar para si mesmo, uma boa maneira é começar a avaliar o comportamento das pessoas ao seu redor, e ter a certeza que não apresentam comportamentos tóxicos.

Comportamentos tóxicos considerados desagradáveis, que se propagem negativamente no meio ambiente provocando distúrbios sociais.
Em termos relacionais torna-se difícil a interação humana, o caos impera. Deve-se manter-se distante e retirar-se estrategicamente quando alguém apresentar comportamentos tóxicos de maneira consistente.

Como anular essas energias
Quando você se sentir extremamente sobrecarregado, encoste-se de costas à uma árvore e a abrace “por trás” e fique assim por alguns minutos, o suficiente para sentir-se melhor.
Ao contrário, quando você se sentir esgotado, cansado, exausto, triste, melancólico, deprimido, sem forças, abrace a árvore de frente, por alguns minutos, Sinta a energia amorosa e carinhosa, sinta-se fortalecido e energizado, com capacidade indefinível de amar e aceitar as coisas individualmente, sinta o poder do amor da Natureza e do seu próprio Amor a si mesmo.

Você também pode andar com os pés descalços e fortalecer seus laços com a Terra (na areia da praia, na grama de casa, do parque, na terra, qualquer lugar, desde que seja solo nu, sem piso ou qualquer outro revestimento artificial ou sintético.
Estabelecer e manter relacionamentos saudáveis é uma construção que demanda investimento de energia. Dar e receber é um dos princípios fundamentais das relações gratificantes.

Portanto, escolha suas companhias cuidadosamente. E lembre-se que os relacionamentos que mantém com outros, refletem o seu relacionamento com você.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

As quatro mulheres negras que prometem em 2017

A jornalista e cinéfila, Lúcia Lázaro escreveu um artigo da Revista Vertigem, na qual escolhe as 8 mulheres que prometem serem verdadeira revelação em 2017. Separamos as quatro mulheres negras escolhidas: Angélica Dass  , Sabrina Fidalgo , Djamila Ribeiro , Ava DuVernay. 
Acompanhem a escolha e classificação e façam seus comentários, meninas:

Passei o último ano acompanhando várias mulheres e coletivos femininos incríveis dentro e fora do Brasil, na área das artes e entretenimento, e decidi que este é o momento de reunir esses nomes e apresentá-los à Vertigem. Após uma difícil escolha, no melhor estilo “A Escolha de Sofia” (filme dramalhão icônico de 1982, que deu o primeiro Oscar de melhor atriz à espetacular Meryl Streep), resolvi que estas são as oito mulheres que vão dar muito o que falar ao longo de 2017. Para cada uma delas, tracei um perfil que servirá de introdução às mentes brilhantes das mulheres que compõem este grupo totalmente heterogêneo, formando um mosaico de idades, raças, profissões e experiências. Algumas já são famosas, outras nem tanto. Em comum, todas reúnem talento, criatividade, perseverança, inteligência e muita garra. Mulheres que vêm fazendo a diferença no mundo. Venham conhecer estas mulheres que causarão vertigem em 2017!
 
A fotógrafa e artista visual carioca Angélica Dass (Foto: Divulgação)
Angélica Dass é uma fotografa e artista visual carioca radicada em Madri, capital da Espanha, há mais de 10 anos, para onde foi inicialmente para trabalhar como estagiária de um museu espanhol.  Formada em Belas Artes pela UFRJ, Angélica, durante os seus primeiros anos na Espanha, criou junto com outros amigos brasileiros espalhados pelo mundo, o cultuado blog ‘Cajon Desastre’ (que em português significa algo como “gaveta bagunçada”), onde cada colaborador escrevia sobre moda, cinema, arquitetura, artes, design e comportamento, sempre sob o viés do que de melhor acontecia em cada capital do mundo onde cada um deles se encontrava. Depois de um tempo, surgiu a ideia do “Humane”, seu mais ambicioso projeto,
que a tem levado para exposições e palestras nos quatro cantos do mundo, fazendo dela uma das artistas visuais brasileiras de maior renome e prestígio internacionais do momento. Mesmo assim, o nome e o trabalho de Angélica ainda não são muito conhecidos no Brasil. Em “Humane”, a ideia é criar um inventário de “pantones humanos”, catalogando, assim, todos os tons de pele possíveis e imagináveis. Para isso, Angélica já fotografou mais de três mil pessoas em mais de 13 países, até agora. A jornada foi iniciada em 2012 e não tem data para acabar. A ideia inicial surgiu logo quando ela conheceu seu ex-marido, um físico espanhol “com pele de lagosta queimada do sol” e se viu obrigada a responder perguntas esdrúxulas sobre qual seria a cor do filho deles. Daí em diante, a artista teve a genial ideia de fotografar sua família e ela mesma. A mãe de Angélica é uma negra descendente de índios e seu pai, também negro, foi adotado por uma família de brancos no Rio. Em seguida, a artista passou a registrar seus amigos e rapidamente, passou a fotografar desconhecidos. Os cliques sempre sem camisa e em 3×4 com fundo branco acontecem em um pequeno estúdio portátil que ela carrega mundo afora. Depois, a artista recorta um pedaço da ponta do nariz de cada fotografado, cuja cor é usada como fundo de cada foto. Sob cada imagem ela inclui ainda o número da cor de referência retirada da paleta industrial Pantone, tida como a bíblia das cores. Após criar seu Tumbrl e uma página para divulgar as fotos do projeto “Humane” no Facebook, os convites começaram a chegar rapidamente e logo, Angélica já estava expondo os resultados em grandes galerias, museus e praças públicas pelo mundo, como aconteceu em São Paulo, em 2013, numa praça do centro da cidade. Se as cores nunca foram um problema em sua família multiétnica, Angélica percebeu cedo que o mesmo não se aplicava da porta de casa para fora. “O Brasil é um dos piores lugares do planeta para se nascer negro. Há um racismo institucionalizado e escondido”, afirmou ela à revista Serafina, da Folha de São Paulo, para onde concedeu uma entrevista de quatro páginas logo após dar uma palestra que emocionou a audiência do TED, em Vancouver, onde foi aplaudida de pé. Desde dezembro, Angélica está passando férias no Rio de Janeiro, mas, nesse meio tempo, já teve que se deslocar a trabalho. Foi convidada para ser uma das líderes culturais do Fórum Econômico Mundial de Davos, que convocou artistas de grande relevância internacional para inspirar as lideranças mundiais com seus trabalhos e engajamento. Estranhamente, não houve uma menção de sua participação em Davos na mídia brasileira. Em março, antes de regressar a Madri das férias no Rio de Janeiro, Angélica irá a Buenos Aires para participar com o “Humane” do FOLA – Fototeca Latinoamericana.





A cineasta carioca Sabrina Fidalgo (Foto: Divulgação)
Multiartista, a carioca Sabrina Fidalgo é diretora de cinema, roteirista, produtora, atriz e, de vez em quando, assume a persona “Lady Sabrina Queen” em suas performances como DJ nas festas mais descoladas do Rio. “Mas meio que aposentei a LSQ (as suas inicias de DJ) por ora”, avisa. Seu posicionamento “anti-racialização” dos diretores negros no cinema brasileiro é bem conhecido e costuma provocar acalorados debates. Para ela, “aceitar e vestir os papéis oferecidos pelo racismo institucional sem o mínimo de questionamento e ainda prestar-se a servir de ‘token’ apenas para
receber uma rebarba do sistema, ocupando, assim, um nicho racial, sem que isso implique em alguma corrente ou movimento estético, é abaixar demais a cabeça, sem o mínimo de consciência. E isso é algo que não combina em nada comigo. Temos que vencer o machismo, o racismo e as barreiras impostas no cinema brasileiro, sim. Mas o objetivo é a paridade em todos os sentidos e não, o recebimento de reles migalhas”. A diretora da cultuada ficção-científica, “Personal Vivator”, curta afro-futurista estrelado por Fabrício Boliveira, é considerada uma das grandes promessas femininas do cinema e já teve seus filmes exibidos em mais de 50 festivais nacionais e internacionais, em lugares que vão de Tóquio, passando por Maputo, chegando até Los Angeles, entre muitos outros. Em novembro último, Sabrina lançou seu sexto e mais recente trabalho no Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, o Curta Cinema, a obra-prima “Rainha”, uma fábula superpotente de 30 minutos sobre o carnaval filmado em preto e branco, que conta a saga de uma jovem negra e periférica (interpretada pela atriz e musa da diretora, Ana Flavia Cavalcanti) que luta para realizar o sonho de se tornar a rainha da bateria da escola de samba de sua comunidade. A cineasta realizou “Rainha” após ter sido a diretora convidada e escolhida pelo comitê do edital de curtas “Fábrica de Cinema”, financiado pelo Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais. Com isso, o projeto também foi contemplado com o patrocínio da empresa Energisa. E antes mesmo do encerramento da última edição do festival carioca, o filme já havia sido aclamado pela crítica especializada como um dos maiores ensaios estético-antropológicos sobre o Carnaval no cinema e recebido mais quatro prêmios de outro festival, o Ver e Fazer Filmes. Ao final do Curta Cinema, “Rainha” foi laureado com o prêmio de melhor filme pelo Júri Popular. Filha única de Ubirajara Fidalgo, dramaturgo negro pioneiro e criador do T.E.P.R.O.N (Teatro Profissional do Negro) e da produtora, cenógrafa e cofundadora do T.E.P.R.O.N, Alzira Fidalgo, Sabrina cresceu em um ambiente cercado por arte, política e militância. Começou a atuar na companhia dos pais ainda aos dois anos de idade como mascote do T.E.P.R.O.N e, além disso, cresceu fazendo participações esporádicas em comerciais, filmes e programas de TV. Aos 21 anos, trocou o curso de Artes-Cênicas na Uni-Rio por um curso alemão em Munique, Alemanha. Estudou cinema e documentário na Escola de TV e Cinema de Munique e, em seguida, após participar de um disputado concurso com vários alunos europeus, foi a única latino-americana a ganhar uma bolsa integral para cursar especialização em roteiro na Universidade de Córdoba, na Espanha. Àquela altura, a jovem realizadora já estagiava em diferentes funções nas produções da escola e em outras produções independentes europeias e, em pouco tempo, realizava os seus primeiros curtas. Ao ser premiada pelo Lateinamerika-Institut da Universidade Livre de Berlim, pelo curta “Black Berlim”, Sabrina retornou de vez ao Brasil e abriu sua própria produtora independente junto com sua mãe, a “Fidalgo Produções”, com a qual realizou, até agora,  seis curtas, um documentário musical de média-metragem para a TV e vários videoclipes. No final de 2016, Sabrina ganhou a primeira retrospectiva de sua carreira promovida pelo Centro de Artes da UFF, onde todos os seus curtas foram exibidos no Cine Arte da universidade em Niterói, Rio de Janeiro. Uma nova retrospectiva de sua obra ocorrerá, desta vez na Central de Produção Multimídia (CPM) da Escola de Comunicação da UFRJ, prevista para acontecer no mês de abril. Enquanto isso, a cineasta ocupa-se com a carreira nos festivais e mostras do recém-lançado “Rainha” e trabalha em uma série de outros projetos para o cinema, teatro e TV, entre eles, o maior de todos os seus projetos, o seu primeiro longa de ficção. Todos os projetos terão a participação de seu “Iansamble” (mistura de Iansã com “emsamble”, que quer dizer grupo, em francês) o mesmo grupo de atores e técnicos com os quais vem trabalhando desde “Personal Vivator”.


A filósofa e ativista do feminismo negro Djamila Ribeiro (Foto: Divulgação)
Feminista brasileira, pesquisadora e mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, Djamila Ribeiro foi secretária-adjunta de Direitos Humanos e da Cidadania da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Fernando Haddad. Virou a maior referência do feminismo e do movimento negro no Brasil graças aos seus posicionamentos firmes e didáticos como colunista da revista Carta Capital, aos seus textões no Facebook e a maciça participação em debates por todo o Brasil. Arrasadora, Djamila, que também é dona de um invejável carisma, consegue nocautear seus interlocutores sempre com respostas sensatas sobre questões que envolvem a situação da mulher negra brasileira. Suas recentes aparições em programas televisivos aumentaram sua popularidade por todo o país, o que a levou a estrear como apresentadora de seu próprio ‘talk-show’, o “Programa de Entrevista”, que debutará este ano no Canal de TV a cabo, Futura. Djamila nasceu em Santos, cidade do litoral de São Paulo, e ainda na infância entrou em contato com a militância política por influência de seu pai, um estivador que era fazia parte do movimento negro, comunista e autodidata, que mesmo com pouco estudo formal, era um erudito e mantinha uma grande biblioteca em casa. Ela é a mais nova de dois irmãos e uma irmã, e guarda memórias de uma infância feliz, com os cabelos sendo trançados por mãe e avó, aulas de xadrez na União Cultural Brasil-União Soviética (foi medalhista de bronze, aos oito anos, em um campeonato de xadrez santista), tardes no Partido Comunista de Santos, que o pai fundou ao lado de outros militantes. No entanto, já na primeira série do Ensino Fundamental (o equivalente atual ao segundo ano), o racismo se tornou cada vez mais presente em sua vida, por meio de xingamentos de colegas de classe, exclusão, falta de preparo de profissionais de educação para lidar com a situação e outras questões, o que foi minando sua confiança em si mesma. Aos 18 anos, envolveu-se com a Casa da Cultura da Mulher Negra, uma organização não-governamental santista, e passou a mergulhar cada vez mais em temas relacionados a gênero e raça. Djamila, que se mudou recentemente de Santos para um apartamento em São Paulo, ainda consegue conciliar tantos compromissos profissionais com a maternidade. É mãe de uma menina de 11 anos.

A cineasta americana Ava DuVernay (Foto: Divulgação)
A americana Ava DuVernay é diretora, roteirista, produtora, publicitária e comanda a distribuidora de filmes, Array, na Califórnia. Ava é considerada, hoje, uma das mais famosas e poderosas diretoras mulheres do cinema independente norte-americano e seu nome lidera sempre o topo das listas das maiores e mais promissoras realizadoras do cinema mundial. Em 2012, Ava foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de melhor direção no festival Sundance com o seu segundo longa, “The Middle of Nowhere”, a primeira mulher negra a concorrer ao Globo de Ouro de melhor diretora e ao Oscar de melhor filme e melhor direção com o seu aclamado longa “Selma – A Marcha da Liberdade”, sobre a marcha liderada por Martin Luther King contra a segregação racial e pela defesa dos direitos da comunidade negra nos EUA. No próximo dia 28, voltará ao Kodak Theater outra vez, desta vez concorrendo com seu novo filme, “A 13ª Emenda”, produzido pelo Netflix, na categoria melhor documentário. O documentário já é tido como o favorito nos bolões do Oscar e, caso a profecia se concretize, Ava será, de fato, a primeira mulher negra diretora a ganhar uma estatueta na história do Oscar. Em “A 13ª Emenda”, Ava propõe um amplo debate sobre a situação racial nos EUA em plena era Trump, traçando um paralelo entre a situação penal americana e o fim da escravatura nos Estados Unidos. Nessa época, havia uma grande necessidade de mão-de-obra barata, então, a solução foi acusar parte dessas pessoas recém-libertadas por crimes banais como vadiagem, levando-as a trabalhar sob custódia. Ava estabelece uma relação direta entre a abolição da escravatura, a segregação racial e a guerra contra o crime e contra as drogas. O resultado é um fenômeno de encarceramento em massa num país onde as prisões são um grande negócio. Ava é uma das mais importantes vozes no debate sobre diversidade em Hollywood, e está pondo a mão na massa para mudar os rumos da indústria cinematográfica. Um exemplo disso é o trabalho que ela desenvolve com a sua distribuidora, cujo foco é distribuir trabalhos de cineastas mulheres e de minorias, dando visibilidade a obras que talvez jamais viriam a público. Ao L.A. Times, Ava disse: “Eles estão se perguntando: ‘Por que fazer algo que ninguém vai assistir?’. Há um desrespeito inerente à distribuição. Há uma segregação cinematográfica em como os filmes são ou não são vistos. O que estamos dizendo é que não vamos mais depender disso a partir de agora. A Array vai atuar não apenas nas salas de cinema, mas também em plataformas como o Netflix. O consumidor está decidindo o que quer ver, quando e como quer ver, e cineastas estão cada vez mais cientes disso, e aceitando o fato de que o sucesso não depende de ter o filme no cinema tradicional”. Ava DuVernay é uma das arquitetas dos novos tempos e está fazendo história nesse romper de barreiras que dará à muita gente um espaço precioso na cultura audiovisual.
 
 



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Psicólogo diz: amor tem 5 estágios, mas maioria de nós emperra e pula fora no 3º

O que voce acha? Concorda que a aconteça o mesmo com o nosso povo? Leia e dê sua opinião!

Fonte: MSN - Fotos: Google Imagens

Quem já se apaixonou e viveu casos de amor sabe bem que o sentimento enfrenta diversas fases, das mais intensas e felizes às mais dramáticas e realistas. Em um artigo para o site MenAlive, o psicólogo Jed Diamond afirma que o amor tem exatamente 5 estágios, mas que a maioria das pessoas emperra e pula no terceiro. Conheça as características de cada um:

Como funcionam as 5 fases do amor

Fase 1- Paixão: o momento de encantamento em que tudo parece maravilhoso no relacionamento, especialmente por estarmos inundados de hormônios relacionados à felicidade e ao bem-estar.
Fase 2 - Comprometimento: quando o casal percebe que a louca paixão dá lugar a um amor mais profundo e calmo. É o momento de alegria e satisfação, autoconhecimento e aceitação, em que ambos começam a vislumbrar laços ainda mais fortes e até a possibilidade de constituir uma família.

Fase 3 - Desilusão: segundo o especialista, é o período em que a maioria das pessoas sentem vontade de pular fora da relação e o ponto em que grande parte das uniões chega ao fim. A fase pode chegar aos poucos ou de uma vez, mostrando que pequenos defeitinhos no outro se tornam insuportáveis e a irritação e a decepção roubam o lugar da felicidade e da intenção de seguir adiante. Quem sobrevive, pode ainda experimentar outras duas fases.
Fase 4 - Amor real:  o estágio em que o casal conseguiu enfrentar a superar os dramas e as turbulências da terceira fase e percebem que, apesar de brigas e desilusões, sentem que o sentimento de carinho é maior e que merece ser cuidado. No período, os parceiros se unem para um bem comum e se apoiam mutuamente criando a compreensão do que é amar a si próprio e ser amado.
Fase 5 - Transformação: a fase do amor mais amplo e humanitário, quando os parceiros românticos estabelecem que a convivência a dois é feliz e saudável, sem margens para preocupações, e que agora, juntos, são até mesmo capazes de transformar o mundo. É neste período em que ocorre a compreensão de que, se puderam superar diversidades em nome de um bem maior, o mesmo conceito pode ser aplicado para a criação de um mundo melhor.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Flores de Aço, remake com Queen Latifah


Esse remake (2012) é um black remake!
E eu amo filmes que mostram essa força, beleza e comédia das mulheres negras!

Então, é um filme que conta a amizade de seis mulheres do Sul do EUA.
O foco mesmo é M'Lynn.
Na verdade, não sei se é correto dizer que esse é o foco do filme, mas M'Lynn e sua filha estão sempre em evidência.

O filme começa com os preparativos para o casamento de Shelby, filha da M'Lynn.
A Shelby tem diabetes e a princípio não quer mais se casar porque seu médico diz a ela que engravidar seria muito perigoso. Por conta disso Shelby conta ao noivo que não quer mais se casar, para não prejudicar o sonho dele de formar uma família, e etc.
O rapaz não desiste dela e o casamento acontece.

O filme então vai mostrando o passar do tempo, onde é claro, outras personagens tem partes de suas histórias contadas, mas sempre como pano de fundo a vida de Shelby.
As amigas se encontram principalmente no salão de cabelo de Truvy. Mas em vários outros momentos elas estão reunidas também.
Shelby acaba engravidando e se arrisca ao aceitar ter o bebe. Sua mãe, extremamente preocupada e protetora, inicialmente não fica feliz com a ideia, com medo do que isso pode acarretar na saude de Shelby, mas seu esposo a acalma (essa é uma cena muito linda do filme)!
Enfim, não vou contar o final, é claaaaaaaaaro, mas, é muito bonito!

Assista o trailer



Outra cena muito marcante é a cena final, no salão de beleza.
Queen Latifah simplesmente ARRASA na atuação!
Vale muito a pena!
Cada personagem tem suas peculiaridades e seus dramas particulares.
Nesse interím, elas se ajudam e se divertem.
Isso é bem legal!

Assista o filme completo, legendado e em português


Adendos:
Parece ter sido produzido e lançado no mesmo ano, em 2012.
Diretor: Kenny Leon
Elenco: Queen Latifah (M'Lynn), Condola Rashad (Shleby), Alfre Woodard (Ouiser) com uma excelente atuação, Phylicia Rashad (Clairee), Jill Scott (Truvy), Adepero Oduye (Annelle).

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Record demite apresentador que chamou Ludmilla de “macaca”

Uma resposta ao racismo midiático deste que se diz jornalista e que ofendeu a cantora Ludmila no ar, no programa Balanço Geral. Racismo é crime e todos os comunicadores precisam aprender e respeitar as diferenças!!





Menos de 24 horas depois da polêmica envolvendo o apresentador Marcos Paulo Ribeiro de Moraes, conhecido como Marcão do Povo, e a cantora Ludmilla, chamada de “macaca” pelo comunicador, a Record decidiu encerrar o contrato com o profissional. A partir desta quinta-feira, 19, o ‘Balanço Geral DF’ estará sob novo comando. O canal ainda não informou o nome do profissional que ficará responsável pela apresentação

Ainda na nota, o canal explica que, por não concordar com a postura do jornalista, “optou por rescindir o contrato do apresentador Marcão”.

Marcão chegou à Record em agosto de 2016, quando foi chamado para comandar o ‘Balanço Geral DF’. Quando fechou contrato com o canal, ele afirmou que “foram anos e anos esperando por uma oportunidade como essa”.

“Tenho amor pela Record porque é uma emissora que preza pela família brasileira. Só tenho a agradecer a todas as pessoas que influenciaram na minha contratação e a todos aqueles que me ajudaram ao longo do caminho de ter chegado até aqui. Pretendo, claro, galgar ainda mais sonhos e alcançar mais objetivos. O céu é o limite”, disse entrevista ao R7.

Antes de ir para a Record, Marcão presentava o ‘Chumbo Grosso’ na TV Goiânia, afiliada da Band em Goiás.

Entenda a história
Âncora do ‘Balanço Geral DF’, da Record, o jornalista Marcos Paulo Ribeiro de Moraes, conhecido como Marcão do Povo, chamou a cantora Ludmilla de “macaca” no programa veiculado na segunda-feira, 9. O caso só ganhou a mídia agora depois de o vídeo se espalhar pela rede.

Marcão ofendeu a funkeira durante o quadro ‘A Hora da Venenosa’. Ao lado da jornalista Sabrinna Albert, ele estava criticando a cantora por seu suposto comportamento com os fãs. “É uma coisa que não dá para entender. Ela era pobre, macaca, pobre, mas pobre mesmo”, disse Marcos, que emendou: “eu também era pobre e macaco, falava isso para os meus amigos. Hoje, digo que sou rico de saúde, graças a Deus”.



Não demorou muito para que Ludmilla falasse sobre o assunto. “Não deixaremos impune tais atos. Trata-se de um desrespeito absurdo, vergonhoso. Fica evidente que esse cidadão @marcaoapresentadortv não possui nenhum pudor ou constrangimento em ofender alguém em rede nacional. Isso tem que ser combatido e farei a minha parte, quantas vezes for necessário”.
Infelizmente, ainda existem pessoas que não compreendem que a discriminação racial é crime e alguns, ainda usam o espaço na mídia para noticiar mentiras ao meu respeito, ofender, menosprezar e propagar todo o seu odio.
Não deixaremos impune tais atos, trata se de um desrespeito absurdo, vergonhoso. Fica evidente que esse cidadão @marcaoapresentadortv não possui nenhum pudor ou constrangimento em ofender alguém em rede nacional.
Como já foi dito por Paulo Autran, “todo preconceito é feito da ignorância”, visto que os racistas não possuem um conhecimento de moralidade, tratando sua própria cor de pele como superior e única.
Isso tem que ser combatido e farei a minha parte, quantas vezes for necessário."
Disse em seu facebook.


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Veja como foi a 3ª Feira de Afroempreendedores Negras em Movimento

Se voce não foi, perdeu a chance de conhecer os produtos étnicos de várias afroempreendedoras.

Terá a chance de guardar verba e comprar no próximo dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, quando haverá nova Feira de Afroempreendedores Negras em Movimento, na Praça de Alimentação da Faculdade Zumbi dos Palmares.

Nesta 3ª edição, as afroempreendedoras  participaram enfrentando chuva e trazendo o melhor para clientes, um grupo seleto.  Bonecas feitas a mão, artesanais e sustentáveis, lingerie plus size e também roupas plus sizes, camisetas bordadas a mão, também pintadas a mão, além de turbantes dos mais diversos, brincos, roupas, acessórios incríveis. E, veja só, exclusivos, por serem artesanais, quase ninguém terá outro como o seu.

Acompanhe as fotos...
Ateliê Coisinhas de Yaiá com bonecas e abayomis, totalmente artesanais.
Bila Black com brincos, pulseiras e também turbantes.
Fique Linda Lingerie Plus Size
Boutique African People brincos, sacolas e acessórios
Coletivo de Oyá apresenta camisetas da Malawi Modas
Negra Rainha, Turbantes e Acessórios
Candy Mimos bonecas para todos os gostos
Odara Artesanato - Acessórios em geral exclusivos
Black Gija  camisetas e vestidos bordados a mão. Exclusivos
Marlei Afro Elegance - Consultoria Capilar é com ela mesma!
M+ Afro Acessórios  turbantes e brincos artesanais
Quilombhoje Literatura aqui representado por Cosme Alves




Bate-papo com o autor de A(R)MADA NEGRA

O autor de A(R)MADA NEGRA presenteou a todos com sua presença e simpatia, num bate-papo e autógrafos para todos que adquiriram sua publicação.
Sidney nasceu na capital paulista e tem formação multidisciplinar. É advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, em 1996. Formado em Letras (Português) pela Universidade de São Paulo – USP, em 2009, tendo se Licenciado pela mesma instituição em 2010. É pós graduado em Direitos Humanos pela Escola Superior da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo – ESPGESP, em 2009. Atualmente é pós graduando em Gênero e Diversidade na Escola pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Cursa o  programa de Mestrado em Educação da UNIFESP.




Livros publicados:
- Negraciosa. Coletânea de Poemas. Editado pelo Quilombhoje Literatura, São Paulo, 2012.
- O Estatuto da Igualdade Racial. Editado pela Selo Negro Edições, São Paulo, 2013.
-Participação nas antologias poéticas Cadernos Negros, poemas afro-brasileiros volumes 21, 23, 25, 27, 29, 31 e 33 editadas pelo Quilombhoje Literatura respectivamente em 1988, 2000, 2002, 2004, 2006, 2008 e 2010, e Cadernos Negros, contos afro-brasileiros volumes 28, 30 e 32, editados pelo Quilombhoje Literatura respectivamente em 2005, 2007 e 2009.
-Participação na Antologia da poesia negra brasileira – O Negro em Versos, organizada por Luiz Carlos dos Santos, Maria Galas e Ulisses Tavares, Editora Moderna, 2005.
-Participação na Antologia da poesia negro-brasileira erótica Pretumel de chama e gozo, organizada por Cuti e Akins Kintê, editada pelo Ciclo Contínuo Editorial, 2015.